Sunday, January 12, 2014

UM NOVO RECOMEÇO

Mais uma noite de INSÓNIA...
Às voltas por entre os lençóis da minha cama, debato-me, qual pássaro numa GAIOLA, num misto de pensamentos, silêncios e omissões...
Dou por mim extasiado e inebriado por MELODIAS fantásticas que ecoam dentro de mim, por acordes magníficos e ritmos avassaladores que me impelem a sair prestissimo deste leito de torpor para gravá-los em partitura... Mas lá fora está frio e a PREGUIÇA prevalece... Como consolação penso que, um dia, talvez, quem sabe, hei-de conseguir deixar transbordar toda esta CRIATIVIDADE que me assalta, que me invade, ora doce e prazenteiramente, ora amarga e tristemente, mas sempre inadvertidamente, sem data nem hora marcada...
E ponho-me a PENSAR...
Passou-se o dia do meu aniversário e, logo após, num ápice, esfumaram-se as "Festas", um período sempre fértil de MEMÓRIAS, cheiros e sensações, reminiscências de passados mais ou menos remotos que iluminam o pequeno mas denso e rico sótão das minhas recordações...
Vem-me à memória "A Christmas Carol", o mágico conto de Charles Dickens que tanto me fez SONHAR em criança, marcado pela apaixonante figura de Mr. Scrooge, o misantropo avarento que se redime perante as assombrações dos fantasmas do Natal Passado, do Natal Presente e do Natal Futuro...
E olho para mim, em retrospectiva, enquanto CRIANÇA...
Ah, como é bom ser criança e poder sonhar sem limites nem restrições, sem condicionamentos nem baias, encapsulado num estádio ainda puro e cristalino da consciência...
Acreditar que tudo é infinito e que as histórias têm, todas elas, um final FELIZ...
À medida que os anos vão passando vamo-nos apercebendo da nossa impotência perante grande parte do que nos rodeia e acabamos invariavelmente, mais cedo ou mais tarde, por aceitar a FINITUDE como constante da vida.
O conceito de INFINITO vai, progressivamente, esbatendo-se, esboroando-se perante as intempéries da existência e vamo-nos apercebendo de que infinito, só mesmo o AMOR, porque não nos é possível mensurá-lo. Munidos das mais poderosas ferramentas e dos recursos necessários seria talvez possível contar todos os grãos de areia de todas as praias do Mundo...
Mas não conseguiremos nunca calibrar nem quantificar o amor porque, apesar de camuflado nas nossas mais recônditas profundezas e, talvez por isso mesmo, ele brota do nosso âmago como força motriz de tudo o que há de mais autêntico, precioso e intrínseco em nós. Paradoxalmente, sendo um sentimento considerado eminentemente humano aproxima-nos, de forma única e inigualável, do Ser Supremo, por se alimentar da energia vital e imortal que vive em nós e constitui a nossa ESSÊNCIA.
E PENSO para comigo... Sendo assim, que sentido faz este modelo de sociedade em que vivemos?
Por que razão continuamos, obstinada e irracionalmente, a anestesiarmo-nos, colocando-nos deliberadamente nas malhas da ilusão e da efemeridade, nas rodas mais aguçadas desta ENGRENAGEM dantesca, desta máquina trituradora que nos transforma e nos deprecia, quais ingredientes baratos para produção de "fast food"?
Para quê continuarmos a fingir que somos IMORTAIS, concentrando todas as nossas energias na materialidade vazia e fútil, na adoração pagã dos deuses dinheiro e poder, na voragem arrasadora da ambição desmedida ?
Por que razão continuamos a ser, como dizia Pablo Neruda, o nosso mais pérfido inimigo ?
Para quê continuamos a valorizar apenas o "ter" e não o "ser" ? Que diabo, como diria o meu homónimo Zé Pedro Cobra, afinal, somos "seres humanos" e não "teres humanos" !... E o Ser, acredito, é bem mais perene do que o Ter !!!
Por que razão teimamos em viver o breve período que decorre entre o instante do nosso nascimento e o momento da nossa morte (como diz o Frei Fernando Ventura) de uma forma tão desesperantemente superficial e desprovida de sentido, particularmente nas nossas relações?
Começando pela relação connosco próprios que é, desde logo, completamente marginalizada e colocada, por nós mesmos, algozes da nossa própria sorte, a anos-luz das nossas prioridades... A falta de "tempo" é uma boa desculpa para a fuga ao diálogo interior constante, tão necessário ao nosso desenvolvimento pessoal e à nossa sanidade mental.
A nossa relação com os Outros também não é excepção... "Bom dia", "Boa tarde!", "Como vai ?", "Cá vou andando...", "O tempo hoje está bera", "Aquilo não era penálti!", são frases frequentes, manifestos da vontade de fingirmos que efectivamente estamos a comunicar com os outros. Mas, será que é isso que estamos a fazer ? Perguntemo-nos, sem receio nem fingimento, qual foi a última vez em que falámos com um amigo acerca de um assunto que nos toca profundamente e partilhámos, VERDADEIRAMENTE, nem que seja um vislumbre da nossa essência ?
Neste ano 2014 que ainda é "bebé", escutemos, singela e abertamente, a tímida "deixa" de mais este novo "início" que está aqui mesmo, à nossa disposição, e aproveitemos a oportunidade para soltar os cavalos selvagens da nossa CORAGEM e AUDÁCIA!
Que sejamos capazes de dar o impulso decisivo à MUDANÇA, começando primeiramente no "EU", pela disponibilidade para uma intervenção cívica e solidária junto aos outros, e evoluindo posteriormente para o "TU", iluminando e motivando quem nos rodeia para a incorporar. SEI que, desta forma, chegaremos ao apogeu desta transformação em "NÓS", de forma progressiva mas definitiva, lançando consecutivas e decisivas pedradas neste charco pardacento e estéril que nos rodeia, dando marcha à REVOLUÇÃO DOS AFECTOS (de que tão bem fala o Frei Fernando Ventura), gerando a massa crítica necessária para tornar imparável !!!
Que o Ano 2014 seja mesmo NOVO!!!
Deixo aqui o som da "Ode à Alegria" da 9ª Sinfonia de Beethoven, com texto de Schiller... Bem a propósito !
http://www.youtube.com/watch?v=x33ZKDZ2aN8

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